quinta-feira, 28 de março de 2013

Abandono




Deve ser desgastante me amar. Minhas mudanças de humor repentinas, minhas saídas rápidas (muitas vezes à francesa), meu mau humor matinal, minhas tempestades em conta-gotas, meus hiatos com quinzenas de duração...

Me amar não deve ser muito fácil. Deve ser complicado amar minhas críticas inesperadas, minha devoção e meu repelir ao mesmo tempo, minhas tragédias transformadas em DRs, meu olhar de desaprovação... Não, não é mesmo fácil me amar.

Por outro lado... Deve ser confortante saber que tem um bom amigo sempre que precisar. Imagino que deve ser um alívio depois de ter um dia ruim, receber uma ligação minha, perguntando: “E aí, você tá bem?”. Acredito que seja tranquilizante ouvir uma palavra de conforto da minha boca. Um abraço meu num momento difícil. Deve ser legal curtir meu altruísmo, minhas piadas rápidas, minha astúcia, meu afeto...

Não deve ser fácil lidar comigo, mas quem disse que eu quero ser “fácil de lidar”.

Deve ser difícil me amar, mas, arrisco dizer, deve ser muito mais difícil sofrer o meu abandono.


Um comentário:

António Jesus Batalha disse...

Ao passar pela net encontrei o seu blog, estive a ler algumas coisas e posso dizer que é um blog fantástico,
com um bom conteúdo, dou-lhe os meus parabéns.
Se desejar faça uma vista ao Peregrino e servo e deixe o seu comentário.
Sou António Batalha, do Peregrino E Servo.

◇ É passado, mas não esquecido